Wall-E – Análise

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De certeza que já ouviste falar em Wall-E! Queres conhecer aquilo que torna esta produção tão brilhante?! Descobre as maravilhas que te esperam!

Wall-E, a 9ª longa-metragem da Pixar, foi uma das suas produções mais divulgadas nos últimos tempos. A verdade é que se gerou uma grande expectativa à volta deste filme, em parte devido à propaganda feita no Verão de 2008 em que se deu a grande estreia – cartazes nos cinemas, Wall-E’s gigantes em cartão, por vezes acompanhado de outras personagens, entre várias outras formas de divulgação.

 

Vendo apenas o resumo da história, muita gente pensaria provavelmente que dali não iria sair nada de especial. Ou até mesmo olhando para o robot, o que tinha ele de tão extraordinário?! Pois bem, já lá vamos: primeiro a história.

 

 

Avançamos no tempo e chegamos a 700 anos mais tarde. O planeta terra está completamente poluído. O lixo da humanidade deixou-o soterrado e totalmente inabitável. Sem alternativas, a empresa BNL possibilita a ida dos humanos para uma estação espacial, Axiom. A ideia era de ficarem lá apenas por cinco anos, tempo que se acreditava suficiente para proceder à limpeza do planeta azul, mas tal não aconteceu. Era impossível regressar. As próprias máquinas de limpeza enviadas para a Terra, que se chamavam Wall-E (Waste Allocation Load Lifters – Earth-Class), não conseguem aguentar as condições precárias, e ficam destruídas. Na verdade, apenas uma sobrevive, e é em torno deste Wall-e que gira a história.

Wall-E, que vive praticamente sozinho no planeta Terra – a sua única companhia é Hal, uma barata de estimação -, tem um hábito bastante curioso: o de coleccionar variados artefactos humanos, enquanto continua entretido com a limpeza para a qual foi programado. Entre tudo o que conseguiu guardar, Wall-E arranjou um cubo mágico, um aparelho de VHS e uma VHS que se entretém a ver várias vezes: Hello, Dolly!.

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Durante os vários anos em que o planeta azul se manteve deserto, este pequeno robot acabou por desenvolver a sua própria personalidade e ganhou consciência perante os problemas que só agora começava a entender. Num dia igual a tantos outros que vivera ali, uma nave aterra e aparece uma nova robot: Eva. Ela tinha sido enviada a Terra para verificar o estado de desenvolvimento das limpezas e confirmar se seria possível que os humanos regressassem. Para isso, deveria procurar espécies vegetais vivas, que lhe dariam a garantia que se tornara novamente possível a vida na Terra.

Ao princípio Wall-E manteve-se reticente perante a visita de Eva, mas eles acabam por se aproximar, até que Wall-E se apaixona por ela. Quando chega a hora de Eva voltar ao espaço, este nosso robot, como seria de esperar, não quer: a melhor companhia que ele tinha tido está prestes a abandoná-lo. Resultado, Wall-E consegue secretamente ir também para a estação espacial.

Chegado lá, depara-se com uma enorme quantidade de humanos exageradamente grandes e gordos – consequência do estilo de vida que levavam (sempre sentados, quase não trabalhavam os músculos, havia sempre uma máquina para fazer tudo por eles). O capitão da nave continua a ter esperanças de concretizar o seu sonho de regressar a Terra e poder fazer parte de antigos hábitos humanos que adora, como por exemplo a dança.

A grande novidade é que Eva conseguiu realmente encontrar um exemplar de vegetal vivo e trouxe-o consigo. No entanto, para que a nave consiga regressar a terra, é necessário que a planta seja colocada dentro de uma máquina. Como todas as boas acções que têm alguém contra a sua concretização, esta não é excepção. Existe um robot que é claramente contra o regresso à Terra e que, assim sendo, vai dificultar a vida a todos aqueles que desejam retornar ao Planeta Azul. Conseguirão Wall-E e Eva levar a cabo a sua missão e devolver aos humanos o planeta Terra são e salvo?

 

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Este filme tem uma carga moral simplesmente excepcional. Não se trata de moral no sentido de personalidade, sentimentos e tudo o que esteja relacionado, como em maioria dos filmes de animação. Aqui trata-se de um problema muito mais grave e bastante presente. A crítica desta vez vai no sentido de reprovar a forma como as pessoas tratam o nosso planeta, ou melhor dizendo, da forma como não tratam dele. A questão da poluição ambiental é aqui retratada de forma única, que pode levar muita gente a consciencializar-se dos verdadeiros perigos que todos corremos se os comportamentos não se alterarem.

A animação da Disney perspectiva assim, pela primeira vez, uma interessante visão futura da humanidade.

 

Um dos aspectos mais interessantes deste filme é o facto de não ter praticamente diálogos. A ausência deste factor faz com que a acção se torne mais evidente, não retirando, de forma alguma, o cariz informativo que o filme pretende transmitir.

 

Uma das únicas coisas que creio que poderiam ter sido mais bem trabalhadas – e ainda assim não aponto isto como algo negativo, nem de perto nem de longe – é o facto de, sobretudo, Wall-E nos ser apresentado a dada altura como um robot com sentimentos, quase como um humano. Sendo uma máquina, a verdade é que se torna, de certa maneira, estranho. No entanto, não creio que o filme ganhasse muito se Wall-E fosse totalmente desprovido de sentimentos, pelo que, considero que esta seja uma das questões mais complicadas deste filme mas, repito, não considero que seja um ponto negativo: apenas algo que poderia ter sido trabalhado de forma diferente.

 

Em termos de animação, penso que a Pixar surpreendeu de forma estrondosa. Mesmo sendo um filme um tanto ou quanto sombrio, sobretudo a inicio, a precisão tecnológica e sofisticação são evidentes quer na qualidade gráfica dos cenários, quer na das personagens. Já é considerado um novo prodígio na animação e eu, pessoalmente, concordo plenamente.

 

Na realidade, praticamente tudo apaixona neste filme, desde a história até à qualidade da animação, passando pelas músicas, pelo sentimento que tudo isto nos transmite, por pequenos aspectos – como Wall-E a dizer o seu nome repetidas vezes de forma tão adorável – que nos deixam rendidos a esta obra-prima, porque sim, é incontestavelmente uma obra-prima.

 

O sucesso merecido desta incrível produção acabou por demarcar um patamar elevadíssimo em termos de animação. Resta agora saber qual o próximo que lhe seguirá as pisadas, conseguindo atingir uma meta semelhante.

Wall-E já arrecadou imensos prémios e é, neste momento, candidato a seis Óscares nas seguintes categorias:

  • Melhor Filme de Animação
  • Melhor Banda Sonora
  • Melhor Canção Original: Down To Earth
  • Melhor Mistura de Som
  • Melhor Argumento Original
  • Melhor Edição de Som

 

 

Ficha Técnica:


Estúdio: Walt Disney Pictures / Pixar Animation Studios
Distribuição: Walt Disney Studios Motion Pictures
Direcção: Andrew Stanton
História: Andrew Stanton
Produção: Jim Morris
Música: Thomas Newman
Desenho de Produção: Ralph Eggleston
Edição: Stephen Schaffer

 

Vozes (versão original): Ben Burtt, Jeff Garland, Fred Willard, Sigourney Weaver, Elissa Knight, John Ratzenberger, Kathy Najimy


Vozes (versão portuguesa): Carlos Freixo, Carla Garcia, Mário Bomba, Luísa Salgueiro, João de Carvalho, Mário Redondo, Paula Fonseca

 

 


Banda Sonora:

 

1. Put On Your Sunday Clothes

2. 2815 A.D. 

3. Wall-E 

4. The Spaceship 

5. EVE 

6. Thrust 

7. Bubble Wrap 

8. La Vie En Rose

9. Eye Surgery 

10. Worry Wait 

11. First Date 

12. Eve Retrieve 

13. The Axiom 

14. BNL 

15. Foreign Contaminant 

16. Repair Ward 

17. 72 Degrees and Sunny 

18. Typing Bot 

19. Septuacentennial 

20. Gopher 

21. Wall-E’s Pod Adventure 

22. Define Dancing* 

23. No Splashing No Diving 

24. All That Love’s About 

25. M-O 

26. Directive A-113 

27. Mutiny! 

28. Fixing Wall-E 

29. Rogue Robots 

30. March of the Gels 

31. Tilt 

32. The Holo-Detector 

33. Hyperjump 

34. Desperate Eve 

35. Static 

36. It Only Takes a Moment

37. Down to Earth

38. Horizon 12.2


 

 

Wall-E transporta-nos para uma dimensão completamente nova. É evidentemente merecedor do êxito que tem, não só pela fantástica mensagem humanista, mas por todos os aspectos já referidos que fizeram deste um brilhante filme de eleição!

 

Nota (de 0 a 5, parâmetros do blog): 5

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